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Evento promovido pela Femama realizado em Brasília

 

Uma atenção especial ao câncer de mama

Apesar das ações e campanhas sobre os riscos do câncer de mama, casos de mortalidade por este tipo de câncer ainda são altos no Brasil

Diário do SudoesteDayanne do Nascimento - Publicado em 09 de Agosto de 2013, às 06h26min

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Apesar de todas as ações e campanhas chamando a atenção sobre os riscos que o câncer de mama oferece à saúde e a importância do diagnóstico precoce, da realização do autoexame e da mamografia, ainda assim, no Brasil, os casos de mortalidade provocados por este tipo de câncer são altos, o que tem chamado a atenção, principalmente, da comunidade médica ligada à área da mastologia.

Com o propósito de discutir como o Paraná e mesmo o Brasil podem mudar esta realidade e diminuir o número de mortes pelo câncer de mama, alguns dos maiores especialistas a nível nacional e internacional estiveram no início deste mês, reunidos na 2ª Jornada Paranaense de Mastologia, realizada pela primeira vez em Pato Branco.

Uma triste realidade

Entre os profissionais que participaram da Jornada, esteve o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), José Luiz Pedrini, que alertou que hoje o câncer de mama é considerado no Brasil um problema de saúde pública e somente para este ano existe a expectativa de que 52.260 novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados, sendo que o índice de mortalidade é de 12 mil casos.

"O câncer de mama tem tido um aumento de 1% a 2% ao ano e este é um aumento, não só pelo aumento populacional, é um aumento real da incidência. Contudo, este não é um fenômeno só no Brasil, isso acontece em todo o mundo, porque não se tem ainda um método de evitar o aparecimento do câncer, o que os médicos têm feito e cada vez melhorado mais é a acessibilidade ao tratamento e a descoberta da doença em estágio inicial, que tem um índice de cura acima de 90%", relatou.

O mastologista e professor das universidades Positivo, Evangélica do Paraná e UFPR, Jan Pavel Andrade Pachnicki, também falou sobre a realidade do câncer de mama e deu destaque aos dados epidemiológicos deste câncer no Paraná. Segundo ele, o Estado apresenta índices preocupantes, principalmente se a comparação for feita com países desenvolvidos, como os Estados Unidos e alguns da Europa, cujos índices de mulheres vítimas do câncer de mama também continuam crescendo, mas a taxa de mortalidade pela doença vem diminuindo, diferente do que tem acontecido no Brasil. "O que chama a nossa atenção é que os casos de câncer continuam crescendo e a curva de mortalidade no nosso país é o que mais preocupa, porque ela continua acompanhando esse crescimento. O que provavelmente influencia nisso é que estamos descobrindo os casos tarde demais", destacou o mastologista.

Ele também informou que hoje a média de aparecimento de novos casos de câncer no Paraná é de 3.110 por ano, número que é semelhante ao dos demais estados do Sul do Brasil e que é considerado um índice alto, quando comparado ao restante do país, pois gera um risco estimado de 55.83 casos para cada 100 mil mulheres no Paraná. Pachnicki ainda relatou que comparado ao índice da capital paranaense, esta ainda apresenta um número até maior. "O índice de Curitiba, por exemplo, chega a 75 novos casos para cada 100 mil mulheres, ou seja, 20 pontos a mais do que o Estado. É difícil falar em risco estimado para a população, mas isso significa que no nosso Estado equivaleria dizer que durante a vida, uma de nove mulheres paranaenses, podendo chegar até uma para oito, vão ter câncer de mama e isso nos chama muito a atenção", alertou.

Os Estados Unidos têm conseguido diminuir os casos de mortalidade pelo câncer de mama e, segundo o mastologista, isso tem acontecido, principalmente pelo diagnóstico precoce da doença, o que significa que eles têm feito um rastreamento mamográfico, melhor do que o Brasil. Também o uso das terapias adjuvantes é um fator influente, já que muitas das novas drogas, os americanos encontram mais facilidades para usar com as pacientes. Para o mastologista essa também seria a alternativa para o Brasil diminuir os seus casos de mortalidade pelo câncer de mama. Inclusive, ele informou que o país, após muitos anos, agora está dando um salto, com a liberação para uso no SUS, do Trastuzumab, uma droga usada já há muito tempo em outros países para o tratamento deste tipo de câncer.

Diagnóstico precoce

Dentro das opções para diminuir as taxas de mortalidade do câncer de mama no Paraná, o médico de Curitiba, Vinícius Milani Budel, falou durante a Jornada, sobre a importância do diagnóstico precoce. Ele informou, que segundo dados do Instituto Nacional do Cancer (Inca), o Paraná tem realizado um número adequado de mamografias na população. "A mamografia de rastreamento tem sido feita em um número importante e não falta hoje no Estado mamografia para ninguém. Entretanto, o volume de mamografias que a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa-PR) tem feito, está sendo direcionado às pacientes de mais idade", afirmou.

Segundo o médico, a realização de mamografias em mulheres mais jovens não traz tantos benefícios em termos de diagnóstico precoce. Isso pela densidade da mama, como pelo fato de que os casos de câncer em mulheres com mais idade é muito maior, por isso o foco da Sesa-PR para as mamografias tem sido neste público. Contudo, ele destacou que é importante que todas as mulheres, independente da idade, estejam atentas aos fatores de risco e sempre procurem um médico, para que ele faça uma avaliação mais detalhada. "O que as pessoas precisam entender é que o que está mais acessível na saúde publica é o médico e não a mamografia. Porque é o médico que vai fazer a avaliação, não somente da mama, mas também do exame ginecológico", argumentou.

Reconstrução mamária

Desde maio deste ano, a cirurgia imediata de reconstrução mamária tornou-se lei, devendo ser feita no mesmo momento cirúrgico da retirada do câncer, em hospitais que fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS). Este foi outro tema debatido durante a Jornada, abordado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, regional do Paraná, Fabio Postiglione Mansanio.

De acordo com ele, a reconstrução mamária, apesar de ser lei e dever do Estado oferecer o serviço, ainda é um desafio e enfrenta muitas dificuldades, como o acesso das pacientes ao procedimento e até mesmo a falta de profissionais disponíveis para prestar o atendimento. Ele também destacou que no Paraná a realidade não é diferente, e que a disponibilidade do SUS, no Estado, também está bem a baixo do que é o necessário. Ele informou que no Paraná existem apenas quatro centros de tratamento de câncer, que realizam a cirurgia de reconstrução mamária pelo SUS, são o Hospital de Clínicas UFPR, em Curitiba, Hospital Erasto Gaetner, também em Curitiba, Hospital do Câncer de Londrina e o Hospital do Câncer em Cascavel – UOPECCAN.

Uma das iniciativas da Sociedade Brasileira de Mastologia, para ajudar a modificar esta realidade, segundo Mansanio, tem sido a oferta de cursos de capacitação aos mastologistas, que desejam trabalhar com a reconstrução mamária. Também, ele ressaltou, que o número de reconstruções mamárias imediatas necessárias para atender a todas as pacientes do Paraná, não é difícil de ser atingido. O que falta é a realização de ações conjuntas, entre a Sesa-PR e os serviços credenciados.

O papel dos grupos de apoio

Outra participação importante no evento foi a dos grupos de apoio às mulheres vítimas do câncer de mama, como a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), que participou através da presença da mastologista e presidente da Femama, Maira Caleffi. Ela relatou que a proposta dos grupos de apoio é muito mais do que o apoio e atenção às mulheres, é também desenvolver um trabalho de articulação e implementação de políticas públicas diante do governo. "Nós precisamos trabalhar em conjunto, porque muitas das decisões são feitas a nível federal, e nós precisamos ter a força de sociedade civil organizada, para obtermos o respeito como usuários que entendem que o SUS é uma boa fórmula de saúde pública, mas que tem um financiamento precário, uma dificuldade de gestão imensa, porque provavelmente a saúde não é uma prioridade do país. Então na verdade o câncer precisa desse movimento de entidades sociais, para garantir que o direito fundamental de acesso à saúde seja na prática conquistado", salientou.

 

O Grupo de Apoio a Mama (Gama) de Pato Branco também participou, contando como o grupo cresceu, desempenhando um papel fundamental às mulheres vítimas do câncer de mama. O relato foi feito pela ex-presidente do grupo e atual secretária municipal de Saúde, Antonieta Chioquetta. Ela relatou que, no início, o Gama surgiu com a finalidade de promover um trabalho de orientação, mas com o tempo, as necessidades de Pato Branco e da região cresceram e em 2007 o grupo passou a idealizar a construção de uma casa apoio, a qual foi concluída e inaugurada em 2012. Segundo Antonieta, o grupo hoje conta com 100 voluntárias diretas, mas indiretamente, o grupo tem apoio de muitos pato-branquenses que, de uma forma ou outra, contribuem para a manutenção da casa de apoio e o atendimento às pessoas. "No nosso grupo não existem ideologias, raças, crenças, enfim, é um grupo sem partido político, é um grupo que para atender realmente às pessoas com necessidades e com câncer", comentou.

 

 

 

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